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O termo “Mergulho Técnico” surgiu no início da década de 90 para designar o mergulho de exploração executado em gruta ou em naufrágio, ou que implicasse imersões muito profundas ou muito longas. A componente de exploração e de transposição de limites até aí considerados inatingíveis, era comumente aceite como condição para essa designação. A comunidade dos mergulhadores técnicos era muito restrita e considerada um bando de loucos inconscientes pelos restantes mergulhadores, ditos recreativos. Hoje a aceitação é totalmente diferente e a maioria das organizações de ensino de mergulho recreativo encara já a vertente técnica como uma evolução possível para o mergulhador. A partir da designação lata de mergulho “técnico”, surgiu rapidamente a necessidade de definir a sua diferença face ao mergulho “recreativo”. A definição assentava sobretudo e, por exclusão, na fronteira imposta pelos limites tradicionais do mergulho recreativo. Assim, o mergulho recreativo foi definido como:
A utilização de equipamentos e técnicas menos convencionais, como por exemplo o uso de rebreathers, tem sido considerada como pertencente à esfera do mergulho técnico, embora sem relação directa com a definição acima. O risco de ocorrência de acidentes aumenta exponencialmente com a profundidade e, cumulativamente, com a complexidade do mergulho, em particular em imersões sob tecto. O mergulho técnico acarreta um risco inerente que pode ser considerado independente do grau de competências do mergulhador e do seu nível de formação. Este risco é substancialmente agravado se a formação específica for inexistente ou deficiente. Nos primórdios do mergulho técnico não havia formação formal. A informação útil não existia ou não tinha sido publicada. Os mergulhadores eram autodidactas e o conhecimento era baseado na experiência e na transmissão oral, com a correcção dos erros em posteriores tentativas. Paralelamente, o equipamento de mergulho foi-se aperfeiçoando, o que permitiu atacar novos objectivos e transpor limites de um modo cada vez mais radical. Também a descida de preço e a fácil disponibilização do equipamento levou a um aumento do número de mergulhadores dispostos a correr o risco de se lançar em imersões mais ousadas. Consequentemente, a sinistralidade subiu de forma dramática. Tornou-se assim evidente a necessidade de divulgar a experiência adquirida e de avançar para uma formação organizada, como forma de combater a elevada incidência de ocorrências fatais. O desenvolvimento de métodos de análise de risco e de acidentes em mergulho técnico e a adaptação de procedimentos e técnicas derivadas do mergulho profissional, permitiu lançar as bases para um ensino coerente do mergulho técnico, aumentando exponencialmente os níveis de segurança. Foi no início desta fase, em 1994, que surgiu a Technical Diving International e o seu programa de ensino. O programa foi desenvolvido por mergulhadores técnicos com créditos firmados e, como tal, direccionado para a exploração de ponta. Era vocacionado para uma estreita franja de potenciais candidatos, munidos já de considerável experiência em mergulho recreativo e do elevado nível de motivação requerido para o mergulho técnico. Contudo, cedo se verificou que muitos dos procedimentos e técnicas ensinados poderiam beneficiar também a segurança de mergulhadores com objectivos menos ambiciosos. O programa foi então repartido por um maior número de cursos o que permitiu a inúmeros mergulhadores usufruirem de imersões um pouco acima dos limites do mergulho recreativo tradicional de uma forma segura, ou ainda apenas aumentar a segurança do mergulho que já praticavam. A partir de 1996 a maior parte das entidades que antes criticavam os “lunáticos” do mergulho técnico aceitaram definitivamente a sua prática e as agências de ensino generalistas foram gradualmente pondo em prática os seus próprios programas de ensino de mergulho técnico. O programa TDI permite hoje progredir de forma gradual até ao nível de exposição ao risco que um mergulhador estiver apto e disposto a aceitar. Não nos enganemos porém: o mergulho técnico ao mais alto nível comporta risco e não é para todos. A maior parte não poderá ou não quererá chegar aos níveis mais elevados de formação. Em qualquer dos casos o seu instrutor TDI ajudá-lo-á a identificar o seu nível de conforto admissível, de aceitação de risco e de competência, e não o deixará avançar para além desse ponto. Para os mais motivados é necessário compreender que a progressão no mergulho técnico é baseada sobretudo na experiência e na consolidação dos conhecimentos em cada nível, antes de se pensar na evolução para os seguintes. O homem não chegou à lua na primeira vez que subiu ao espaço. A subida vertiginosa no mergulho técnico não é admissível na filosofia da TDI. Esse tipo de progressão tende a promover um mergulhador rapidamente ao seu nível de incompetência, constituindo um perigo para si mesmo e para outros. Na TDI existe um lema pelo qual os instrutores se guiam:
Este cuidado não se verifica em todas as agências que ensinam mergulho técnico, algumas bastante mais vocacionadas para o mergulho recreativo, onde a progressão é geralmente mais abrupta e onde amiúde estas questões deontológicas são ultrapassadas pelo objectivo do lucro rápido. O mergulho técnico exige um perfil psicológico baseado sobretudo na honestidade para consigo mesmo e na capacidade de reconhecer e aceitar os seus próprios limites. O ser humano integra uma faceta que exibe por vezes aspectos enganadores, e um instrutor poderá equivocar-se acerca das capacidades e do sentido de responsabilidade de um candidato. Para limitar a possibilidade de tal erro, e no sentido de preservar a segurança de todos, o instrutor promoverá oportunidades para um conhecimento mais aprofundado do candidato. Não se surpreenda se um instrutor o convidar para um ou mais mergulhos antes mesmo de aceitar a sua inscrição num curso de mergulho TDI ... É necessária uma motivação férrea e muita paciência para progredir em mergulho técnico. O grau de motivação necessária é tanto maior quanto mais elevado o nível da formação e prática. O mergulho técnico é uma actividade arriscada e financeira e temporalmente muito dispendiosa. Existem múltiplas razões pelas quais os mergulhadores procuram formação em mergulho técnico e algumas delas são perigosas. Nestas incluem-se a busca de aceitação e/ou promoção social (porque “é moda”), a corrida aos “cartões de mergulhador” e a cedência face a pressões de outrém. As motivações erradas são susceptíveis de acarretar comportamentos de risco inaceitáveis. A procura de formação não deve estar condicionada a qualquer outra coisa que não seja um genuíno desejo de satisfazer a curiosidade, de explorar o desconhecido, ou ainda de aumentar a segurança. Neste aspecto o mergulhador técnico deve ainda hoje ser definido pelos mesmos critérios que assistiram ao surgimento do termo “Mergulho Técnico”, há quase duas décadas atrás. Se não são estas as suas motivações para se envolver no mergulho técnico, não se deixe tentar. Se está à procura de uma entrada para um mundo fascinante, de excitante descoberta e onde poderá “pisar onde ninguém antes pisou”, revelando os segredos de vastas porções dos oceanos (e não só) ainda largamente desconhecidas, então está a bater à porta certa. Faça o favor de entrar! Em mergulho técnico não há dogmas. As técnicas estão em permanente evolução e uma “verdade” de hoje poderá não ser tão verdade amanhã. Os conhecimentos, a inventividade e adaptabilidade humanas são dinâmicas e é por esse facto que tudo evolui. Se forem estabelecidos dogmas e ensinados como tal, se forem estabelecidos limites absolutos, o mergulho técnico tenderá a estagnar e a evolução cessará. Isso seria negar a própria essência do mergulho técnico. As condições e os ambientes de mergulho a uma escala planetária são muito diversificados, da mesma maneira que os mergulhadores também são diferentes por todo o mundo. Por mais que se tente unificar um procedimento ou uma técnica, a variabilidade existente encarregar-se-á de inviabilizar normalização em excesso. Embora todos os mergulhadores técnicos possam aprender uns com os outros, não há substituto para a experiência local dos mergulhadores. O que funciona num ambiente ou numa região poderá não funcionar noutra. Na TDI não advogamos uma, e uma só, forma de fazer as coisas. Não fazemos lavagens cerebrais. Valorizamos a experiência do que funciona localmente. Acreditamos na inteligência das pessoas e na sua capacidade de adoptar, ou mesmo de desenvolver de forma inovadora, as técnicas e os procedimentos que melhor se adequarem a cada um. O seu instrutor ensinar-lhe-á multiplas técnicas e/ou procedimentos, as que são usadas localmente e as que são usadas noutros locais do globo, para que não se sinta deslocado e mergulhe em segurança, em condições e ambientes distintos daqueles em que recebeu formação. Os materiais didácticos TDI reflectem exactamente essa filosofia e estão sempre a ser actualizados. Essa versatilidade é por vezes incompatível com a estética das impressões, mas, em última análise, são os conhecimentos com que sairá de um curso TDI que contam, e não o marketing visual. Na sociedade da informação em que vivemos, a internet tem um importante papel na fácil circulação e divulgação de todos os aspectos relacionados com o mergulho. No entanto essa facilidade acarreta um acesso universal a quem queira dessiminar as suas ideias. Nem tudo o que se lê na internet é forçosamente correcto ou válido. O mergulhador deve exercer discernimento e não embarcar de ânimo leve em visões não escrutinadas. Nada nem ninguém poderá substituir uma formação formal, ministrada por um instrutor devidamente habilitado para tal. Não tente incorrer em práticas do domínio do mergulho técnico sem o devido enquadramento de um instrutor! O risco de vida é demasiado elevado! A TDI orgulha-se de ter os melhores e mais experientes instrutores de mergulho técnico. Na TDI não encontrará instrutores que no espaço de uma semana passaram de mergulhadores recreativos a instrutores trimix... Os nossos instrutores praticaram e praticam ainda de facto o mergulho técnico e adquiriram larga experiência antes de passarem ao nível de instrutor. A carreira de um instrutor TDI é longa e progressiva. Um instrutor TDI transmitir-lhe-á conhecimentos advindos da sua prática como mergulhador e não apenas a teoria do manual. Verifique o curriculum do seu instrutor e compare. Vai ver que estará em boas mãos! Bons cursos e bons mergulhos! |